quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Campanha equilibrada nos EUA

Desde que Donald Trump assumiu a Casa Branca em 2017, a política americana ganhou contrastes de maiores acirramentos. A maneira radical, forte e, muitas vezes, desrespeitosa do republicano ao se referir a adversários, imigrantes ilegais, nações amigas e inimigas, e outros, foi uma marca que se manteve durante todo o mandato. Após a vitória esperada no processo de impeachment, Trump se mostra mais animado do que nunca em se manter no ataque. Em ano eleitoral, democratas também dão mostras de que o enfrentarão com empenho, indicando uma campanha agressiva de ambos os lados.

Trump fala ao Congresso durante o tradicional discurso do Estado da União

Números, porém, apontam que o cenário está aberto, e que o pleito de novembro promete ser equilibrado. Pesquisa recente do instituto Gallup, publicada no início deste mês, mostra que Trump está com o seu melhor desempenho desde o início do mandato. Ele obteve 49% de aprovação nacional contra 50% de desaprovação. Apenas 1% do eleitorado não quis opinar, mostrando um cenário extremamente polarizado.

Apesar disso, o sistema eleitoral americano não considera vencedor aquele que obtém mais votos, mas sim quem conquista o maior número de delegados no colégio eleitoral. Assim, números de janeiro da Morning Consult mostram que Trump tem motivos para se preocupar. O presidente possui uma considerável rejeição em Estados que foram decisivos para sua eleição em 2016 – como por exemplo Michigan, Wisconsin e Iowa, onde a diferença entre desaprovação e aprovação está em torno de dez pontos.

Trump aposta na economia como a grande cartada para sua reeleição. O tópico é, de fato, vital em qualquer democracia. Vale lembrar que a prosperidade econômica após anos de recessão durante a República de Weimar foi o principal fator para que os alemães apoiassem Adolf Hitler. Durante a ditadura militar no Brasil, o chamado milagre econômico no início dos anos 70 – alicerçado em vultuosos empréstimos internacionais – deu estabilidade política ao governo de Médici. A ditatura perdeu o apoio e desmoronou quando a fatura deste período chegou, resultando na grande recessão dos anos 80.

De qualquer forma, o governo Trump não revolucionou a economia dos Estados Unidos a ponto de se tornar um candidato imbatível. O desempenho econômico do país, porém, permanece estável, seguindo o bom patamar do governo Barack Obama. Isso dará ao republicano pontos positivos, apesar das ações conservadoras de seu primeiro governo, quando aumentou tarifas e promoveu guerras comerciais.

Durante o discurso do Estado da União no início do mês, o presidente não poupou críticas aos democratas. Estes também não têm economizado ataques a Trump durante as suas primárias, que definirão o candidato do partido. O senador Bernie Sanders, que venceu o páreo de New Hampshire, disse que a sua vitória “é o início do fim de Donald Trump”. O verdadeiro tom da disputa, porém, só começará a ser revelado a partir da chamada “super terça” no dia 3 de março, quando mais de 10 estados realizarão as primárias.

*Artigo publicado na edição de 18/02/2020 do jornal O Popular. Para acessar clique aqui (para assinantes)

Foto: Official White House Photo by D. Myles Cullen

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